NEGRO ROM

NEGRO ROM
INICIATIVA QUE RECONHECE A DIFERENÇA
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Nossa Ligação

(A.Lessa)



O celular vibrou
E eu atendi
Crendo ser você
Já não agüentava mais esperar
Pra te ouvir
Dizer com a voz tão meiga:

“- Olá... Meu bem?
Eu te acordei?
Me desculpe pela hora...”

Mas a vibração agora
Atende ao meu chamado
É aprazível e alonga
Nossa ligação.


* Essa poesia, pequenina e singela, da qual tenho carinho especial, faz parte do livro "Negro Rom" de Lessa e Peu.

domingo, 18 de julho de 2010

Âmbar

(J.C. Alcantara)

Não sou branco
Sou franco,
O negro é pranto,
E, o pranto ecoa pelo tempo,
Lúgubre, lúgubre.

Sou negro,
Sou homem,
Mas, se fosse branco,
Seria um homem
Assim como sempre fui.
Isto está juramentado
E ajuramentado,
Aresto, aresto.

Sou um homem
Como todos os outros.
Não digam o contrário,
Nem criem barreiras!
Uma criança nasce chorando e gritando:
“Acesso, acesso!”

* Poesia extraída do livro "Negro Rom", de Alcantara e Lessa. Em breve publicado pelo "Clube de Autores".

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Selo Moebius de Qualidade

(A.Lessa)

Saia da garagem, Seu Moebius!
Saia desse canto de armação!
Já cansei de tanto hermetismo!
Cinismo, não!

Essa poesia tem seu selo.
Essa tinta parece carmim.
Uso para embelezamento.
Afeito, sim!

Sai fora! Se cria! Escarra!
Pode até chamar a Laura
Que eu tô legal.
Eu não tenho medo de palma
Me passa o sal!

Sou benquisto em Coelho Neto
Do avô que lincha todo mundo.
O difícil é ser num universo
Onde se escalpela até couro desnudo.

Cadê o Zé?! São 09:05!
Não pensa muito não, amigo! Corre!
Isso tudo é uma grande presepada.
Moebius pensando que é sapiente.

Para terminar.
Parem de apertar.
Passa a língua nesse selo
Pra dialogar.
Quando o Dias tentar
A ti explicar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Açaí do Moebius

(A.Lessa)

Hoje no céu de veludo vejo
Estrelas de algodão.
Distanciam-se na noite.
Hoje não tô bom!
Meu corpo moeu...
Só de pensar...
Pará!
Trem indo pro subúrbio
E pela hora envolto em brasas...
Olha!
Noiva de véu cor-de-rosa
Com alfinetes e vodu...
Ouça!
Nêgo caiu! Descarrilhou!
Deve ser tiro de fuzil...
Mas não tem nada não...
O açaí do Seu Moebius
Continua muito bom...

Extraída do livro "Negro Rom", de Lessa e Alcantara.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Epopéia

(J.C.Alcantara)

Mi, quando eu me for,
Fui.
Dou uma passada
Na sua casa, casada.
Um beijo, um abraço, um tchau,
Fui.

Passo na casa do Zequinha,
"-Zeca, queria fazer uma pergunta:
A gente termina o alicerce
Domingo?"
A paciência do fim de semana acaba,
Eu findo.

O Rogério foi pra enfermaria
A consciência tá me cobrando
Uma visita, e
Eu fazendo artesanato...
...Queria mesmo é terminar meu quadro,
Mas o Lessa disse apenas:
"-Zé, era azul da Prússia
Ao redor dos caquis."

E agora, José?
A light cortou a luz
Do fim do túnel.
O que falta é PAIXÃO,
Escrita assim mesmo,
Com maiúsculas.

Que dor!!!!!!
Como doi ver a Carla
Chorando por causa
Do Dente
E não fazer nada,
Pois, todo o mundo sabe
Que dor que doi mesmo
É a dor de consciência!

Querendo agradar a todos
Não agrado ninguém.
Ouço a voz do Vinicius,
Ledo engano,
O Vinicius não anda de trem.
Coitada da minha mamãe,
Nunca vai entender que
Chega uma hora
Que todo poeta fracassa
Se o amor não vem!

O ônibus tá chegando na Penha.
Olho pela janela
Enquanto as pessoas em pé nos pontos
passam.
Elas diriam, se me vissem, que
Quem passa sou eu.

Eu diria muitas coisas 'inda,
Se o que tenho a dizer
À professora
Não fosse atravancar o meu futuro,
Construindo no meio da minha sala
um muro, mas,
"Quem não tem nada a perder,
Não perde nada" - Diz o ditado.
Então pensarei duas vezes.
Uma vez, e mais outra 'inda,
Mas o que eu teria a perder,
Nem ganhei ainda.
Tô cansado de esperar a bonança,
Eu findo, minha paciência
Finda.

O camelô passa
Vendendo balas & bugigangas.
Eu compraria um ator,
Se ele me vendesse um papel,
Pois o meu está acabando.

Eu não me masturbo
Nem em pensamento!
Seria inércia dizer:
"O ônibus para, mas,
Eu sigo ao relento."

O Luan falou que "o cavalo é doce"
E que foi no parque sábado.
Todo sábado.
Todo dia é sábado.
Assim, meus olhos choram
Corações arrependidos.
Não tenho dinheiro direito
Pra comprar o que preciso.
Eu preciso apenas de
Coragem.

Mais cedo ou mais tarde
Vou ter de enfrentar a fera,
Não quero ver
Gaiolas na minha
Janela.

Mi, vou ter de sair,
Sumir por um tempo,
Pegar carona
Na mudança do vento.
Tô levando na bolsa
Seu beijo e alento.
E, no meu regresso,
Trarei muitos portentos.

Cheguei em casa cansado.
Tomar um banho é imperativo,
Descansar é cuidado.
Amanhã acordo cedo e
A luta recomeça outra vez.
Tem seu lugar
Confiado.

*O blog continua, um pouco devagar devido às dificuldades técnicas, mas continua. Em breve: capítulos inéditos de Edifício Brasil e Mórbida Investigação.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Selva Ferina

(A.Lessa)

Você diz que não sou normal

Pensa que sou um animal

Leopardo excitado...

Pardo...

Em estado de nada mal.


Toda ansiedade

Toda certa idade

É você quem inventou.

E é chegado o momento

Um tempo sem intento

Em que um coração parou.


Já cansado do luto,

Do jejum, de tudo...

Eu parti...

Bicho solto, acuado

Com sorriso guardado...

Como álibi.


Do livro "Negro Rom", 2005. de LESSA, Alexandre; e ALCANTARA, José Carlos de.


*Amanhã postaremos: Animalia Sensual e Edifício Brasil.

Escola

(J.C.Alcantara)

Um quadrado,
Um monte de pessoas,
Nenhuma imaginação.
É a descrição de uma sala de aula.
A descrição de uma escola é diferente:
Dez quadrados,
Mais pessoas ainda e
Menos imaginação.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Efemeridades Vis

(A.Lessa)


Telepatia não me sacia

Sai saci sassarica na Síria

Projeção astral perdeu a graça

Só me engraço em sangria ou desgraça

Tudo para quê?!

Rotineiro é sentir e não ter...


Sou uma ave e o céu me anuvia

Lanço vôo em mares de luz, arauto do dia.

Concupiscente, sou. E fiel.

Atualmente existem restrições

Certas coisas são proibições

Obediente, sou. E meio insano...

Quiçá, talvez...

Sei que sou...


Tô cansado de todo esse tolhimento!

Se amar é pecado, meu bem

Eu lamento...

Eu não posso mais...

Desejá-la apenas em meus

Pensamentos


Agora navego em corredeiras de lágrimas

Não há sua voz, brincadeira... nem nada!

Quando a noite cai...

E no lúdico não há amantes

O arrependimento sobressai...

Refiro-me ao tocante e aos

Pactos que fiz...

Bichos da seda e seus

Hímens de veludo, anis...

São belezas...

E efemeridades vis.


Do livro Negro Rom (2005), de Alcantara e Lessa. Rio de Janeiro, RJ.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mundo

(J.C.Alcantara)

Se eu estou feliz
O mundo está.

Se estou triste,
Triste o mundo está.

Eu sou o mundo
Que me rodeia.

Seu pó é o sangue
Que corre nas minhas veias.

Seus átomos, água e ar,
Me constituem como o sal ao mar.

Eu sou a luz da vela que se extingue
Bruxuleante num bar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ato Falho

(A.Lessa)

Não devia ter comido aquela ameixa
Achando que fosse uma azeitona preta.
E agora?!
O problema é meu.

Eu queria vinagrelha
E veio mel.
Devo ter cuspido
Nos babados do véu.

Meus dentes sujos de piche.
Oh! Grude encanto...
Na minha garganta a ânsia
É de acalanto...

Foi o pecado da gula?
Ou o apetite é peixe?
Ai...
A disenteria é rio,
Mas na mão não resolvia
Um processo desse tipo.

Agora que entrou
Vai ter que sair
Eu não posso mais ser
Responsável por ti.
Se eu cultivei,
Mas colhi errado.
Cada um que chame
Seu guia confiado...

Fonte: "Negro Rom" (2005); de Alexandre Lessa e José Carlos de Alcantara. Rio de Janeiro - RJ.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Num Banco de Ônibus

(J.C.Alcantara)

Olho para os carros
Plantados no chão.

Sinto os pneus
Penetrarem
O asfalto.

O trânsito parado,
Um garoto correndo,

Assalto.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Revolta

(J.C.Alcantara)

Amor, volta
E trás de volta
Minha alma
Que estava morta
Desde sua partida.

Amor, re-volta
Coloca a mão
Dentro do caixão
E sacode, acorde
Este corpo morto
Me acorde pra vida.

Amor, na volta
Traga refrigerante
E vontade de viver.
Traga também uma corda.
Não se preocupe com a ambigüidade
Que este pedido possa trazer
Não, não e não!
Não é o que você pensa
O que eu quero dizer.

Amor, volta
E, uma meia-volta seria o ideal.
Volta e traga de volta
O que você não levou
Um grito, um tiro,
Re-vól-ver.

Extraída do livro "Negro Rom" (2005), de Alcantara e Lessa.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

E-mail

(J.C.Alcantara e A.Lessa)

Recebi um e-mail
Que falava, eu creio,
sobre um novo socialismo.
Falava sobre educação.
Parecia uma coisa certa
Que a educação era o caminho
Para alcançar a meta.

Um outro e-mail dizia
Ser importante eu dizer
Para as mulheres que eu conhecia
Sobre um certo perigo...

Outro e-mail falava sobre uma pirâmide,
Um falava sobre injustiças,
Vários falavam sobre pornografia.
Falavam sobre cinema, esportes.
Falavam sobre teatro e TV,
psicologia, ortóptica, causas indígenas,
Hermeneuticometria...

Palavra!
E, em meio a essa
correnteza de banalidades,
Reencaminho um e-mail
Corrente.

J.C Alcantara e A.Lessa fecham o início de semana poético com mais uma singela poesia (a marca da semana foi a simplicidade dos poemas), dessa vez, em parceria.

terça-feira, 31 de março de 2009

Nossa Ligação

(A.Lessa)

O celular vibrou
E eu atendi
Crendo ser você
Já não agüentava mais esperar
Pra te ouvir
Dizer com a voz tão meiga:

“- Olá... Meu bem?
Eu te acordei?
Me desculpe pela hora...”

Mas a vibração agora
Atende ao meu chamado
É aprazível e alonga
Nossa ligação.

Mais uma pequena poesia de A.Lessa, essa também pode ser encontrada no livro "Negro Rom" (2005) - de Lessa e Alcantara.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ser Sem Estar

(J.C.Alcantara)

Não diga adeus
Diga até já.
Vi que foste embora,
Mas sei que vais voltar
Sei o que quero
O que não quero um dia saberei.
Maldita hora que nosso amor morreu.
Não tenho pá pra enterrar o que sinto.
E, o que sinto, sei que existe
Pois o sinto.
Grandiosa pequenez do humano.
Você sai pela porta
E eu tento ver se dá para
Ser sem estar.

Mais uma bela poesia de J.C. Alcantara encontrada no livro "Negro Rom" (2005), de Alcantara e Lessa.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Futuro

(J.C.Alcantara)

“Não serei o poeta de um mundo caduco”
Nem falarei do passado
Não pensarei de forma cartesiana
Terei fé no não visto,
Ouvirei o que nunca foi dito
E só acreditarei, depositando plena confiança
Com minha capacidade de raciocínio,
Em tudo o que não existe.
Ainda...

Seguirei relativizando
Pregando as boas novas
De um mundo melhor
Ensinando quem quiser aprender
Os dez mandamentos de uma ecologia humana
De Einstein a Capra, De Freire a Morin
O tempo é minha matéria
Mas não o tempo presente, newtoniano
Meu tempo é o tempo futuro,
Livre, leve e solto
Que corre pra frente e para trás
Em ondas e em partículas
Ao mesmo tempo...

Serei um poeta de um mundo novo,
Verdadeiramente admirável.
De um governo que será capaz de arruinar
Os que arruínam a Terra
De reis incapazes de sugar a alma do planeta
Por dinheiro ou vintém
O poeta de um mundo que é para todos
Ou para ninguém
Cantarei canções de Pessoa
E refrões das folhas da relva
Ao esperar uma nova consciência planetária
Junto com a inclusão de todos os entes
Surgirem do ventre do super-homem
E do João-ninguém...

Terei a cada dia que passa
Mais fé no futuro
No tempo futuro,
No homem futuro,
Na vida que ainda vem.
A verdadeira vida que em tudo é diferente
Da vida que a gente tem
Pois, o tempo é minha matéria,
O tempo futuro...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Palavras Inexistentes

(J.C.Alcantara)

Eu nunca vou ser completamente feliz.
Sinto muito por mim mesmo.
Sei o que quero,
Mas o que quero ninguém sabe
E eu não quero contar.
Sei com um saber profundo
As respostas de perguntas
Simples e complicadas.
Sei que tudo e nada se confundem
Mas, se tento explicar,
Encontro muito poucas palavras,
Ou palavras que não deveriam existir.
As mulheres continuam atrás de sentimentos.
Os homens de verdade continuam em extinção.
Há quem pense que, na verdade, nunca existiram.
Sei com um saber profundo
Tudo o que não existe neste mundo,
E é justamente disto que precisamos.
Eu nunca vou ser completamente feliz.
Sinto muito por mim mesmo,
E pelo mundo inteiro.
Eu o perdi, mas
Ele também me perdeu.
Sei o que devo dizer,
Mas se eu disser ninguém vai querer ouvir
E, como não faz sentido
Ficar falando sozinho,
Me calo.

Extraído do livro Negro Rom, de J.C. Alcantara e A. Lessa.